“Mas, se alguém fizer cair no pecado um
destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe seria amarrar uma pedra de
moinho no pescoço e se afogar nas profundezas do mar. "Ai do mundo, por
causa das coisas que fazem cair no pecado! É inevitável que tais coisas
aconteçam, mas ai daquele por meio de quem elas acontecem! (Mt 18:6-7)
Somos todos imperfeitos e, por isso,
erramos constantemente. Ao errarmos, tornamos necessárias correções de rumo,
que venham a nos reconduzir ao caminho certo, e isso se dá por meio de
inconvenientes, ou sofrimentos. Deus pode nos dar estes sofrimentos por
quaisquer meios, mas, em sua perfeição, usa-nos uns com os outros para.
Reciprocamente, nos aperfeiçoarmos. Como pedras no fundo dos rios, as arestas
de um desbastam as arestas dos outros, e acabamos por nos tornarmos lisos, como
“seixos rolados”. Ou, por outra, como a lixa e a madeira que, pelo atrito,
tornam-se ambas lisa. A madeira é valorizada, enquanto a lixa é descartada.
A Suprema Inteligência usa-nos uns com os
outros, com inúmeros benefícios. Assim, a aspereza do outro corrige a minha,
enquanto a minha imperfeição concorre para o aperfeiçoamento dele. Lembremos,
porém, que isto não torna nossos defeitos em virtudes. Imperfeições continuam
sendo imperfeições, ainda que usadas por Deus, até mesmo porque, se estas não
existissem, causas naturais produziriam os efeitos necessários. A morte
violenta de um grupo de pessoas pode, por exemplo, ser provocada por um
atentado ou por um desastre natural.
De tudo isto, se compreende que:
- Nada temos a cobrar do outro, pois os
erros dele nos atingiram por causa de nossas atitudes e nossas necessidades de
aprendizado, não sendo ele a causa, mas apenas o meio pelo qual Deus nos
corrige;
- Estes erros, bem como os nossos próprios,
devem ser evitados, ainda que possam ser meios de se estabelecer a Justiça
Divina, e melhor seria se não houvessem existido;
- Inexiste qualquer justificativa ou razão
para buscarmos vingança ou ajuste de contas, pela simples razão de que estes
fatos tiveram origem apenas em nossas próprias escolhas;
- À medida em que evoluirmos, conviveremos
com pessoas melhores, que também evoluíram, até por não mais necessitarmos de
“lixas” tão grosseiras;
- A Sabedoria, a Justiça e o Amor de Deus
tornam desnecessárias e erradas quaisquer tentativas a quem tenha errado
conosco, mas todos prestaremos contas detes erros diretamente a Deus, no seu
devido tempo;
- O “Mal” não existe. Chamamos de mal aquilo onde o bem ainda não se
manifestou, assim como “Escuro” é onde a Luz não chega e “Frio” é onde falta o
calor. Pode-se ter um facho de luz, em meio à escuridão, mas é impossível
produzir um facho de escuridão em meio à luz. Com o tempo a nosso esforço,
evoluiremos, e o Bem prevalecerá.
Do
livro “A Filosofia na Bíblia”
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